quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Um abraço no ano novo!

Estar aqui, simples e confiante, sentindo a vida, o presente, uma coisa puxando outra, sem que haja fim, sempre processo, passos e travessuras, afastados os riscos de perda ou extravio, pois o caminho sou eu.

As crianças sentem isso e riem à toa simplesmente por serem quem são.

Muitos e muitos anos, e a gente quase não desconfia de nada, das roupas, das caras, do dinheiro. Só que tudo estava pronto desde antes. 

O que temos é nosso tesouro de menino e não saberemos disso se não formos radicais até o último instante.

As ferramentas para a travessia são boa vontade, fé, gratidão e generosidade...

Feliz 2016!


segunda-feira, 20 de julho de 2015

O tecido do criador

Todos temos desejos, sonhos, pedidos, anseios. E isto faz parte de nossa constituição, é verdade. Faz mal deixar de ter esperança e se acabrunhar diante das dificuldades. Sim, é preciso pedir. Sim, a esperança é inerente ao nosso coração.

Mas se são tantas pessoas neste mundo, e se todas sonham, pedem, desejam, querem, o que fazer então com os inevitáveis conflitos? E qual a situação daquilo que não passa de mero capricho nosso, desejo de vingança, carência ou inveja? Afinal, algum desejo irá prevalecer e alguém perderá ou deixará de ganhar ou desistirá.

São tantos sonhos humanos e na verdade um só espaço, o coração. São tantas brigas e confusões e a na realidade uma só derrota, do coração. Nossa compreensão é bastante limitada nesse sentido. Como manter a lucidez diante de tamanha contradição?

O ponto de encontro é revelado quando Jesus confirma a vontade de Deus assim na terra como no céu. As veredas do coração se tornam claras diante dessa compreensão. A conciliação está na vontade de Deus, porque participamos de Cristo.

Os passos são nossos. Perto, dentro, mas além de um coração. É vida, é verde, é presente, é permanente. A glória do amor! O tecido do criador!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Grande coração: Veredas

Sertão, meu coração, veredas, iluminadas quando percebo, todo canto de uma só criação.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Badeco e Vininha

Essa música sempre me emocionou. A primeira versão que ouvi é de um disco gravado em Roma por Vinícius e Toquinho. Só que essa versão que vai no vídeo, dos próprios autores, Baden e Vinícius, é muito bonita. 

Quem é homem de bem não trai
O amor que lhe quer seu bem
Quem diz muito que vai, não vai
Assim como não vai, não vem
Quem de dentro de si não sai
Vai morrer sem amar ninguém
O dinheiro de quem não dá
É o trabalho de quem não tem
Capoeira que é bom não cai
Mas se um dia ele cai, cai bem
Capoeira me mandou dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou vai ter briga de amor
Tristeza camará

Se não tivesse o amor(2x)
Se não tivesse essa dor(2x)
E se não tivesse o sofrer(2x)
E se não tivesse o chorar(2x)
Melhor era tudo se acabar(2x)

Eu amei, amei demais
O que eu sofri por causa de amor ninguém sofreu
Eu chorei, perdi a paz
Mas o que eu sei é que ninguém nunca teve mais, mais do que eu

Capoeira me mandou dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou vai ter briga de amor
Tristeza camará.



quinta-feira, 21 de maio de 2015

Cântico I


É dia de recolher as armas e abrir o peito pro sol. 
Dia de agradecer, de receber um doce abraço.
Dia de amar, de perceber, de viver enfim. 

Hoje é o dia.





sábado, 11 de abril de 2015

Homem do futuro

Emocionar-me com esse filme seria inverossímil se eu não o tivesse compreendido. Talvez eu nem consiga me explicar. Só que não importa muito ter precisão neste momento. Vou apenas me despedir. E Deus sabe do que estou falando.


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Para entender

Há forças e forças, todas nossas, infinitas na gente. O universo e a alma. Um começo no outro. Extensões e não conclusões.

Movimento, estrada, pássaro...Vida presente, continuamente.

Impossível dizer mais do que isso. Basta saber que vamos adiante. E que a vida não pode ser domesticada num mantra.

Léxico do amor

Sou verbo, sou de mim e sou do outro, sou descoberto, de dentro pra fora, sou caminho.

domingo, 29 de março de 2015

Simples assim

É simples, meu irmão. É simples.

Somos todos diferentes, é verdade. Cada pessoa leva consigo o que passou na vida. Existem feridas, às vezes dor, muita dor. Há também as ilusões e fantasias, que podem ser tantas e até mesmo tomar conta de nossa própria identidade. Ainda assim, é simples.

Ousar ser, tornar-se aquilo que se é, reconhecer a simplicidade, tudo isso se refere à nossa capacidade de entendermos que existimos e que somos.

A minha oração de hoje é para que todos possamos perceber a realidade.

sábado, 14 de março de 2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Caminho, liberdade e fé


Vamos seguir adiante, é no caminho que temos paz! O encontro ocorre no movimento, é processo, é continuo, não existe ponto final, e assim nos revelamos e nos descobrimos...

Quando nossa visão é alterada, a liberdade é a jovem surpresa do tesouro desenterrado. Contudo isso é apenas uma etapa, um momento dentro da vereda imprevisível, em que tudo se fará novo a cada dia. A liberdade jamais será um fim em si mesmo, devendo tornar-se instrumento, uma espécie de bússola, porque a jornada é longa e está apenas no início.

É claro que a liberdade representa um ganho, um avanço em relação ao tempo da escuridão, em que achávamos que qualquer lampejo era o livramento, qualquer prazer era o encontro. Naquele tempo nada mais havia do que carências vestidas de luz, opacidade desejando uma roupagem que brilhasse na escuridão que envolvia a tudo ( ainda não se entendia que a luz vem de dentro e que as trevas são apenas aquelas dos próprios olhos). Mesmo assim, tem muito chão pela frente.

A vida no caminho tem percalços, é verdade. Mas é na persistência que o ser começa a se libertar. E é após nossa libertação que percebemos que temos a vida toda pela frente. A gente percebe que tudo está ligado ao nosso próprio coração. É como se o infinito começasse aqui dentro do peito e o céu e as estrelas fossem tão maravilhosas quanto cada gota de paz que despejamos nos amigos com que nos deparamos no caminho.

Ir adiante é cultivar o grão de fé que existe em cada ser humano. É pela fé que aceitamos os
obstáculos como aliados e entendemos a liberdade como farol da vida. O grande tesouro consiste na sequência dos passos, na transformação das pessoas, no nascimento de uma nova criança, na gravidez de uma mulher, no amor de um pai, numa estrada em construção.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

O milagre da vida


Quando ouvi sobre a graça de Deus pela primeira vez, não entendi muito bem do que se tratava. Senti que havia algo de bom, que me trazia uma espécie de paz. Mas não percebi o real significado desse milagre.

Essa paz que surgiu no início me lembra o dia em que fiquei observando minha cachorrinha em Montes Claros parada junto ao portão da casa, olhando por baixo dele e desejando muito correr pra rua. Lembro-me do quanto ela ficava eufórica, especialmente quando os outros bichos passavam por lá e davam uma boa fungada ou latida perto da porta.

Anos depois num culto da Lagoinha, ouvi o pastor definir a graça como tudo aquilo que recebemos mas que não merecemos. Ao lado disso, após asssistir a alguns vídeos do Caio na internet, essa palavra passou a fazer parte de minhas conversas com amigos, esposa, filha...Contudo, de algum modo estranho, dentro do coração, sentia que a porta da rua ainda estava fechada, apesar de minha boca  não parar de falar dos benefícios que a graça divina nos proporciona.

Em 2013, num domingo cinzento de Brasília, sozinho, fui a uma reunião do Caio e quando ele perguntou se alguém ali gostaria de ser batizado, eu fui até ele e oramos para que Deus me fizesse entender o evangelho com o coração e não apenas com a mente. Emocionei - me bastante naquele dia. Repeti comigo diversas vezes o significado da graça, falei com os meus amigos, pressenti a paz. Porém, a pequena porção de luz pela fresta da porta não iluminava o interior da casa.

Há coisas que o intelecto,  por mais que se esforce em raciocínio e repetições, jamais vai compreender.

Lá em Candiba, em janeiro deste ano, quando orei junto com o meu pai, como temos feito de manhã sempre que vou visitá-lo, quando ouvi ele dizer, do jeito dele, com a simplicidade dele, que fé é a certeza das coisas que se esperam mas que não se veem, "alguém mexeu na maçaneta do portão". Mas não houve euforia. Apenas algo foi rompido dentro de mim. Não sei dizer o quê exatamente.

Nesses últimos dias em Belo Horizonte, tenho revivido muitos sentimentos que julguei superados. Percebo que a transformação efetiva de nossas vidas depende da confiança, da certeza daquilo que não se vê, mas que se espera.

Muito mais do que gravar a informação, é preciso sentir que a graça envolve coragem, sendo a própria essência do tornar-se aquilo que se é. Significa voo, chão, trabalho, abraço, esperança, compreensão, perdão, exuberância, beijo e, sobretudo, amor.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A vida escrita

Escrever é bom. Faz bem pra mim. Vou escrever um livro. Talvez sobre auditoria, literatura, direito, política, autoajuda. Sei lá. Apenas quando chegar o momento, vou escrever. E desconfio que será um livro bacana, daqueles que alegram principalmente a alma de quem escreve. Afinal, como bem disse Rilke, as coisas mudam quando nós enxergamos a escrita como parte de nós mesmos, expressão de nossa própria existência.

Houve uma época em que discutia sobre o conceito de arte. Lembro-me do Lekso, Mendel e outros dizendo o que pensavam sobre o assunto. Jamais chegamos a um consenso. Hoje penso que a arte consiste simplesmente na utilização de uma ferramenta (instrumento, artifício) para a expressão do ser. Poderia fazê-lo de diversas formas, pintar, dançar, atuar... Sinto afinidade com uma apenas, ainda que possa, a qualquer tempo, abraçar qualquer outra. Escrever faz bem pra mim.

Há tantos assuntos! Com diz o Mendel, a vida da gente pode se apresentar de modo mais extraordinário do que a melhor das ficções! Aliás, se pensar bem, sempre há um bocado de si mesmo em toda e qualquer expressão artística. Até mesmo "fora do meio artístico" isso ocorre. É o que se dá na filosofia, por exemplo. Não foi à toa que Nietzsche denunciou Kant e os idealistas, demonstrando o quanto de personalismo havia nas verdades supostamente descobertas com o mais precioso raciciocínio...

Enfim. Estou por aqui e vou continuar. Há um princípio que escolhi, segundo o qual o único não da existência deve ser dado ao ato de desistir. Continuar sempre! Eis o grande sim para a vida! A verdade subjetiva do meu ser. E a escrita é irmã dessa verdade. Sou eu quem fiz assim. Foi Deus quem me concedeu essa graça. Amém.

sábado, 23 de agosto de 2014

EM CASA

Estou de volta à BH. É bom estar em casa, é bom rever esta cidade, que tanto amo. São dias de sol forte, baixa umidade e tempo seco. Às vezes me sinto como se a vida estivesse além do tempo.

Na maioria das horas, contudo, sou apenas um homem. E como tal, tenho em mim todos os sonhos do mundo...

É bom estar de volta. Melhor ainda, saber que estou vivo e que, de vez em quando, sou eterno.

sábado, 12 de abril de 2014

CONFISSÕES

Eu não sabia que o mal não tem existência própria, exceto como privação do bem, e isto no nível em que o ser não assume seu papel.
Santo Agostinho

domingo, 30 de março de 2014

BEM AQUI

Domingo, dia 30 de março. São dez horas da manhã. Acordei há pouco com uma sensação gostosa. Vontade de sorrir. Vontade de cantar. Vontade de viver. É tão simples e tão forte. Sou muito grato por tudo, por tudo.

Há quase dois meses estamos em Brasília. Esta cidade tão estranha no início, mas que aos poucos se tornou amigável. Um lugar cuja beleza se revela ora como esperança, ora como certeza de que o paraíso é bem aqui (dentro de mim). Hoje, finalmente, descanso nesta cidade.

Sim, tenho saudades da Bahia. Sinto falta de meu pai, minha filha, minha sobrinha. De Belo Horizonte, idem. Lembro-me de nossa cama, nossa sala, meu carro, do sofá quase quebrado. Mas há descobertas que são precedidas de saudade, de muita saudade. E hoje é assim.

E dessa forma vou ficar um pouco mais, com Time Out of Mind tocando na rádio, deixando meus olhos meio molhados, levando-me ao centro do espírito, deixando-me feliz, quase em êxtase: sorrindo, cantando, vivendo!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

VELHOS DESEJOS E UMA MISSÃO

Existem velhos desejos que dificilmente se apagam de nossos corações. Dentre eles, está o de agradar aos outros, de modo a receber os louros do prestígio e da adulação. Quantas vezes não procurei escrever nesse sentido? Lembro-me das ardentes expectativas: O que vão achar do que estou falando? Vou, enfim, receber a admiração daquela pessoa? E aquela outra, a quem eu julgo ser melhor do que eu, reconhecerá, definitivamente, o meu valor? Estas e tantas outras coisas impublicáveis permeiam as pessoas que perdem o rumo daquilo que proporciona paz e nos preenche o coração - o amor.

Sim, gosto do reconhecimento, especialmente das pessoas que eu amo. Isso jamais será problema, desde que advenha da minha sincera expressão. Ainda que a vaidade procure ser enaltecida mediante fantasias do meu ser, ou que procure adulação enquanto recompensa do meu agir, estou certo que de que tenho mais o que fazer. Tenho uma missão a cumprir. E ela começa aqui dentro de mim, quando passo a reconhecer minhas fraquezas, visualizar desvios que me ocorrem, enxergar primeiro em mim aquilo que aponto nos outros, arrepender-me de toda iniquidade e pedir perdão ao Único que é capaz de me ajudar a ser sincero - Jesus.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

HOBALALA

Somos simplesmente seres humanos. E conosco estão todos os sentimentos do mundo. Inexiste alguém completamente perverso. Do mesmo modo, não há pessoa perfeitamente justa. Diante disso, seria possível alguma integridade? Como frutificar para a vida perante tantas contradições? Como acreditar que não estamos sozinhos? Qual é afinal nossa essência?

A resposta está dentro de nós. Mas não basta procurá-la em qualquer canto. É preciso mergulhar na constituição do próprio ser. E, embora muitas vezes vinculado às contingências de cada um, o fato é que podemos, em algum momento de nossas vidas, discernir com clareza a respeito de nós mesmos. E desse jeito é porque existe algo fundamental, ligado à nossa raiz. O amor.

Existe amor nos seres humanos. Não é por outro motivo fomos criados à imagem e semelhança de Deus. E é por causa dele que possuímos uma relação primeira com todas as pessoas, de tal maneira que amar a Deus também significa amar ao próximo. Trata-se do ciclo vital mais primitivo da humanidade. Por intermédio dele é que estou aqui. Porque Deus é amor.

Não obstante, o amor é muito mais do que um sentimento. É início, é verbo, é movimento. A partir dele é possível frutificar para a vida. Por meio dele sobressaem sentimentos bonitos, aqueles que proporcionam paz, que vivificam o corpo, que expressam a vontade de Deus, na medida em que permitem a manifestação do ser, sem desvios, sem fugas. O amor é poder.

E por se tratar de força ativa e constante, o amor permanece para sempre. De modo que, mesmo diante de ações perversas, opções que podem conduzir à tristeza e à morte, ainda será possível o perdão. Sim, o movimento do amor traz consigo o perdão. Nada está perdido para o amor. Sempre poderemos nos tornar aquilo que somos em essência. O amor é absoluto.

Por isso, Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu único filho, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Simples assim. Como a história de um menino que brincou, cresceu, ensinou, curou, morreu e renasceu. Tudo para que a verdade se revelasse em essência, em Deus, em amor.

sábado, 7 de julho de 2012

Controle Judicial e democracia - Controle Democrático do Judiciário: o papel do Conselho Nacional de Justiça


A ideia de Democracia – governo do povo e voltado para o povo – pressupõe a existência de controle das atividades dos órgãos que exercem o poder efetivo em um determinado Estado. No Brasil, o regime democrático, em sua forma representativa, foi adotado como regra: a titularidade do Poder é atribuída ao povo, porém o exercício deste Poder é conferido ao Legislativo, Executivo e Judiciário. E nossa Constituição prevê formas de controle para esses três órgãos de cúpula estatais.

No que se refere à fiscalização contábil, orçamentária, financeira, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, nos termos do art. 70 e art. 71, da CRFB, podemos detectar a existência de controle externo, sendo este exercido pelo Congresso Nacional, com auxílio do Tribunal de Contas da União - TCU. Além do mais, há previsão constitucional para implementação de sistemas de controle interno de cada Poder.

Também existe a possibilidade, no que tange, especialmente, aos Poderes Executivo e Legislativo, já que os cargos destes são ocupados por pessoas escolhidas diretamente pelo povo, de este promover a realização de uma espécie de controle externo no momento das eleições. Por fim, há de se mencionar o imprescindível papel do Ministério Público, o qual, por ser instituição permanente, investido na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses individuais e sociais indisponíveis, torna-se agente controlador de nossa democracia.

E no que se refere ao Poder Judiciário? O que há de previsão constitucional a respeito? Estaria o Judiciário em situação privilegiada em relação aos demais? Não estaria ele sujeito a formas de controle? Qual a importância do controle judicial para a consolidação do nosso regime democrático?

A resposta à maioria destas perguntas seria muito embaraçosa, não fosse o advento da Reforma do Poder Judiciário, promovida pela Emenda Constitucional - EC n°45, a qual implementou dentro de nossa ordem jurídica o Conselho Nacional de Justiça – CNJ. De fato, antes dessa EC, pairavam sobre o Poder Judiciário fortes indícios de corporativismo, procedimentos carentes de transparência e abusos produzidos, em sua maioria, pela escassez de limites quanto à atuação jurisdicional, no que toca aos seus aspectos administrativos, financeiros e disciplinares. Houve até quem dissesse que essa Instituição seria uma espécie de “Caixa Preta” – “a expressão foi atribuída ao então Advogado-Geral da União, Gilmar Ferreira Mendes”.

Afastadas as discussões de ser o CNJ espécie de controle interno e não externo do Poder Judiciário, dada sua composição majoritária de juízes e o fato de o art. 92 da CRFB trazê-lo como órgão do Poder Judiciário, a realidade é que esse Conselho representa indiscutível avanço rumo à concretização de nosso “Estado Democrático de Direito”, porquanto inaugura um novo modelo de controle judicial, agora não mais restrito aos “porões e subterrâneos” dos órgãos correicionais dos diversos tribunais deste país.

E trata-se de um órgão cujas funções estão constitucionalmente abalizadas, competindo-lhe, dentre outras atribuições, o controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes. Sendo assim, é incontestável o avanço que representa a implementação do CNJ, pois traduz o anseio de toda sociedade democrática de ver seus Poderes constitucionais submetidos ao crivo de um órgão fiscalizador, que atue para dar transparência e legitimidade à atividade executiva, legiferante ou jurisdicional.

Contudo, não basta esse avanço, não basta mera previsão constitucional. É preciso que o órgão fiscalizador se mostre, na prática, como agente transformador, capaz de efetivamente produzir mudanças dentro da conjuntura de um Poder. E no caso do Judiciário, o CNJ tem se mostrado bastante alvissareiro.

Nos últimos dias, assistiu-se a um verdadeiro enfrentamento entre a Corregedora Nacional do CNJ, Eliana Calmon, e diversas associações, como a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) e a Ajufe (Associação dos juízes Federais do Brasil), envolvendo a amplitude do poder investigativo e correicional do Conselho. A corregedora chegou a declarar que há um “corporativismo ideológico perigosíssimo” nas corregedorias do Poder Judiciário e que isso favorece a infiltração de “bandidos de toga”. Segundo ela, o combate à corrupção é feito com transparência, e o CNJ deve ser agente promotor dessa luta. E arremata dizendo: “Num primeiro momento, houve uma gritaria em relação à atuação do CNJ. Essa onda passou, como se a intervenção estivesse sendo aceita, mas ela retorna em um momento em que nós começamos a fazer uma apuração disciplinar”.

Toda essa celeuma provocou a participação do STF, o qual, em recente decisão, concedeu liminar restringido os poderes do CNJ para investigar juízes suspeitos de irregularidade. Na decisão individual, o Ministro Marco Aurélio entendeu que o CNJ não pode atuar antes da Corregedoria dos Tribunais, já que a competência de investigação do Conselho é subsidiária, apenas complementar em relação ao trabalho das Corregedorias. Entretanto, a questão ainda será objeto de avaliação do Plenário, momento em que haverá análise do mérito da causa, e a consequente definição da extensão dos poderes investigativos e disciplinares do CNJ.

Contudo, ao contrário de travar o processo democrático, essas discussões vão fortalecer o pensamento de que nenhum Poder está isolado em si mesmo de modo que não lhe recaia fiscalização. Hoje, com a divulgação desse embate na mídia, com a proliferação de editoriais, artigos científicos e conversas leigas em esquinas e praças sobre o assunto, o CNJ já não é mais uma “longínqua criatura incompreensível e mitológica” que, de tão distante do senso comum da população, seria mais um adorno à suntuosidade do “Santíssimo” Judiciário, tão envolto em mistério e misticismo, tão fechado quanto insondável em seus desígnios, tão infalível quanto perfeito em sua essência. Não, não é assim.

O papel do CNJ está definido. E mesmo que o órgão de cúpula do Judiciário venha a tolher-se a liberdade constitucionalmente prevista – vide os incisos do parágrafo 4°, do art. 103-B, da CRFB -, em descompasso com o clamor popular e com as exigências do regime democrático (“do povo e para o povo”), a realidade é que o papel do Conselho foi escrito em nossa sociedade. E isto trará, mais cedo ou mais tarde, novo levante dos fatores reais de poder, os quais, de acordo com o grande constitucionalista Ferdnand Lassale, formam a verdadeira Constituição de um povo. O CNJ é assunto materialmente constitucional.


Belo Horizonte, 21 de janeiro de 2012

terça-feira, 1 de maio de 2012

NELE

Minha oração é para que seja feita a sua vontade, assim na terra, como no céu. Mas ainda peço, "ensina-me a orar, meu pai'. Pois quero mais e mais. Provei da fonte eterna, da água viva, do rio infinito...

Os tempos são difíceis, mas a vitória é certa. É só esperar na sua palavra, o amor ficará somente.

Minha esperança está nas mãos do grande eu sou.



Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou
João 8:58

domingo, 22 de abril de 2012

Mensagem da Cruz


Sim, eu amo a mensagem da Cruz. Porque nela, Jesus deu a vida por mim, pecador. Esta é a graça de Deus, o amor imerecido a que todos temos acesso. Basta aceitar esse amor. Dizer sim ao que nos faz bem, ao que nos cura, nos fortalece e nos faz crescer em perdão e verdade.

Meus lábios serão o reflexo do que está na Cruz. Porque sei o que Ele fez por mim, e poderá fazer por qualquer um. Basta também dizer sim.

E se alguém ainda desconhece, saiba que Ele vive, porque ressuscitou. Por isso a Cruz é o fim e o começo de toda a história. E Ele voltará, porque prometeu. E Jesus não é homem para mentir. Pelo contrário, ele conhece a natureza humana, e, mesmo assim, nos ama. Aleluia!

Meu Senhor, tu me guardaste até aqui. Ao olhar a minha história, tenho certeza de tua proteção. Hoje, diante das provações, do fundo do meu coração, surge uma doce voz que é muito mais do que eu! Esta voz, em sua doçura, emaranhada ao mais poderoso amor, afasta de mim todo mal, toda vontade desistir. E eu fico! Fico sim com o Senhor.

Sim, sim, sim eu amo a mensagem da Cruz.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

2012

É isso, o ano começou...

E se é para começar na verdade, o que deve ser dito é: Jesus transformou minha vida. Imagino que, para a maioria das pessoas que um dia ouviram bobagens de minha boca, ou que tenham visto o tanto de encrenca em que um menino pode se meter a procura de algo que ele não faz a menor ideia do que significa, a leitura de uma frase "Jesus transformou minha vida", dita por Moisés, faça surgir sentimentos diversos como dúvida, surpresa, incredulidade...

Mas isso não se aplica Àquele que sempre soube - e sabe - de todas as coisas. Porque mesmo diante dos milhares de sinais que apontavam para um triste fim, Ele, ainda assim, jamais me abandonou. Pelo contrário, aos poucos, trabalhou, com persistência, pois seu amor é maior do que tudo. Ele me perdoou. Ele me ama de forma plena. E é Nele que estou aqui agora, para inaugurar as palavras escritas deste ano...

Neste momento, é difícil saber se tais palavras serão muitas, se irei conciliá-las com o terceiro grande objetivo deste ano, que é o estudo. Todavia, de uma coisa estou convicto: Elas serão mais verdadeiras, refletirão o que É em minha alma, quando dobro meus joelhos e, com lágrimas, clamo ao Espírito Santo que tome conta de mim, que habite em meu corpo, que faça morada em meu espírito. Isso sim ocorrerá, ainda que que haja menos verbo. Pois O VERBO, o primeiro objetivo, o que realmente permanecerá, já está aqui, e dele posso fazer não só um texto ou algumas palavras. POSSO VIVÊ-LO EM ESTADO CONSTANTE. É nisso que creio. E nisso está o mais importante.

Contudo, algumas ideias surgem sobre o que escrever em 2012. A principal delas é a de fazer algo intitulado "Cartas à Sofia", onde eu discorreria sobre meu aprendizado, sobre o que tenho visto pela primeira vez, sobre a fé, o caminho, o discernimento, e, fundamentalmente, sobre as transformações que somente o amor de Deus pode fazer na vida de um pai, de um (futuro) marido, de um homem. O objetivo seria o de mostrar à Sofia as coisas como as tenho hoje, de modo que se ela desejar um dia, possa encontrar e compreender os primeiros passos de seu pai, que acabou de nascer. E que nesses passos ela consiga perceber o poder do nosso Pai em comum, O Qual fará de nós todos uma linda história.

Para concluir, queria dizer algo a você Minha Lu: Em todas as minhas orações, desde agora e para sempre, haverá nosso casamento como pedido a Deus e ação Nele direcionada. É com muito orgulho que admito, para nunca mais especular nesse assunto, que o dia em que você surgiu diante de mim, houve sorriso em todos os cantos do mundo, porque foi propósito de Deus consumado, e creio que quando isso ocorre na vida humana, o universo se movimenta em amor e felicidade; hoje tenho olhos para ver esse milagre, que ocorreu e que a todo momento ocorre, fruto da Graça do Senhor em nossas vidas.

Feliz 2012!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

UM CONVITE À DOCE REVOLUÇÃO
O Reino é simples!

Artigo 1 –

Fica decretado que agora não há mais nenhuma condenação para quem está em Jesus, pois, o Espírito da Vida em Cristo, livra o homem de toda culpa para sempre.

Artigo 2 – Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive os Sábados e Domingos, carregam consigo o amanhecer do Dia Chamado Hoje, por isso qualquer homem terá sempre mais valor que as obrigações de qualquer religião.

Artigo 3 – Fica decretado que a partir deste momento haverá videiras, e que seus vinhos podem ser bebidos; olivais, e que com seus azeites todos podem ser ungidos; mangueiras e mangas de todos os tipos, e que com elas todo homem pode se lambuzar.

Parágrafo do Momento: Todas as flores serão de esperança; pois que todas as cores, inclusive o preto, serão cores de esperança ante o olhar de quem souber apreciar. Nenhuma cor simbolizará mais o bem ou o mal, mas apenas seu próprio tom, pois, o que daí passar estará sempre no olhar de quem vê.

Artigo 4 – Fica decretado que o homem não julgará mais o homem, e que cada um respeitará seu próximo como o Rio Negro respeita suas diferenças com o Solimões, visto que com ele se encontra para correrem juntos o mesmo curso até o encontro com o Mar.

Parágrafo que nada pára: O homem dará liberdade ao homem assim como a águia dá liberdade para seu filhote voar.

Artigo 5 – Fica decretado que os homens estão livres e que nunca mais nenhum homem será diferente de outro homem por causa de qualquer Causa. Todas as mordaças serão transformadas em ataduras para que sejam curadas as feridas provocadas pela tirania do silencio. A alegria do homem será o prazer de ser quem é para Aquele que o fez, e para todo aquele que encontre em seu caminhar.

Artigo 6 – Fica ordenado, por mais tempo que o tempo possa medir, que todos os povos da Terra serão um só povo, e que todos trarão as oferendas da Gratidão para a Praça da Nova Jerusalém.

Artigo 7 – Pelas virtudes da Cruz fica estabelecido que mesmo o mais injusto dos homens que se arrependa de seus maus caminhos, terá acesso à Arvore da Vida, por suas folhas será curado, e dela se alimentará por toda a eternidade.

Artigo 8 – Está decretado que pela força da Ressurreição nunca mais nenhum homem apresentará a Deus a culpa de outro homem, rogando com ódio as bênçãos da maldição. Pois todo escrito de dívidas que havia contra o homem foi rasgado, e assustados para sempre ficaram os acusadores da maldade.

Parágrafo único: Cada um aprenderá a cuidar em paz de seu próprio coração.

Artigo 9 – Fica permanentemente esclarecido, com a Luz do Sol da Justiça, que somente Deus sabe o que se passa na alma de um homem. Portanto, cada consciência saiba de si mesma diante de Deus, pois para sempre todas as coisas são lícitas, e a sabedoria será sempre saber o que convém.

Artigo 10 – Fica avisado ao mundo que os únicos trajes que vestem bem o homem diante de Deus não são feitos com pano, mas com Sangue; e que os que se vestem com as Roupas do Sangue estão cobertos mesmo quando andam nus.

Parágrafo certo: A única nudez que será castigada será a da presunção daquele que se pensa por si mesmo vestido.

Artigo 11 – Fica para sempre discernido como verdade que nada é belo sem amor, e que o olhar de quem não ama jamais enxergará qualquer beleza em nenhum lugar, nem mesmo no Paraíso ou no fundo do Mar.

Artigo 12 – Está permanentemente decretado o convívio entre todos os seres, por isso, nada é feio, nem mesmo fazer amizades com gorilas ou chamar de minha amiga a sucuri dos igapós. Até a “comigo ninguém pode” está liberta para ser somente a bela planta que é.

Parágrafo da vida: Uma única coisa está para sempre proibida: tentar ser quem não se é.

Artigo 13 – Fica ordenado que nunca mais se oferecerá nenhuma Graça em troca de nada, e que o dinheiro perderá qualquer importância nos cultos do homem. Os gasofilácios se transformarão em baús de boas recordações; e todo dinheiro em circulação será passado com tanta leveza e bondade que a mão esquerda não ficará sabendo o que a direita fez com ele.

Artigo 14 – Fica estabelecido que todo aquele que mentir em nome de Deus vomitará suas próprias mentiras, e delas se alimentará como o camelo, até que decida apenas glorificar a Deus com a verdade do coração.

Artigo 15 – Nunca mais ninguém usará a frase “Deus pensa”, pois, de uma vez e para sempre, está estabelecido que o homem não sabe o que Deus pensa.

Artigo 16 – Estabelecido está que a Palavra de Deus não pode ser nem comprada e nem vendida, pois cada um aprenderá que a Palavra é livre como o Vento e poderosa como o Mar.

Artigo 17 – Permite-se para sempre que onde quer que dois ou três invoquem o Nome em harmonia, nesse lugar nasça uma Catedral, mesmo que esteja coberta pelas folhas de um bananal.

Artigo 18 – Fica proibido o uso do Nome de Jesus por qualquer homem que o faça para exercer poder sobre seu próximo; e que melhor que a insinceridade é o silencio. Daqui para frente nenhum homem dirá “o Senhor me falou para dizer isto a ti”, pois, Deus mesmo falará à consciência de cada um. Todos os homens e mulheres que crêem serão iguais, e ninguém jamais demandará do próximo submissão, mas apenas reconhecerá o seu direito de livremente ser e amar.

Artigo 19 – Fica permitido o delírio dos profetas e todas as utopias estão agora instituídas como a mais pura realidade.

Artigo 20 – Amém!

Caio e tantos quantos creiam que uma revolução não precisa ser sem poesia

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Dissertação - TEXTO III

Ao entrarmos em contato com o pensamento de Ferdinand Lassale, por meio do seu livro “O que é uma constituição?”, logo percebemos que o grande objetivo desse autor é demonstrar como a lei fundamental de um país é de determinada maneira, sem que lhe seja possível ser diferente. Ou seja, demonstrar como a lei fundamental, que nada mais é do que a própria constituição, deve, necessariamente, consistir na soma dos reais fatores de poder de determinada sociedade.

Para comprovar sua tese, Lassale faz uso de uma argumentação peculiar: lançando mão de várias perguntas sobre a efetividade de modificações no texto constitucional que suprimam ou diminuam a força desses fatores, demonstra que seria inviável, por mera modificação legislativa, exercida para capricho, deleite ou interesse de quem quer que seja, afastar a lei fundamental daquilo que ela, efetivamente, representa: a ordem político-social vigente. Lassale pergunta, por exemplo, se seria possível restituir, por simples imposição normativa, a ordem que vigorava na idade média; questiona também se seria viável suprimir o poder dos banqueiros e dos donos de indústrias, estabelecendo regras que limitassem o acesso ao lucro e ao ganho de capital. E a essas questões, o autor responde dizendo que tudo aquilo que se configura como parte integrante de uma constituição não pode dela ser suprimido ou anulado, sob pena de tais modificações se revelarem inócuas, ineficazes ou carentes de efetividade.

Nesse sentido, conclui Lassale que a verdadeira constituição (a lei fundamental) ultrapassa os limites do documento formal em que as regras relativas a organização e funcionamento do Estado, bem como ao estabelecimento das bases da estrutura política e às garantias individuas e coletivas fundamentais, são inseridas. Independentemente da forma que assumam, tais regras devem ser o reflexo das ordens de poder da sociedade. E, caso o documento a que foi dado o nome de constituição não as contiver, estará fadado a ser mera “folha de papel”, condenado ao esquecimento ou a substituição por outro que esteja em consonância com aquilo que efetivamente constitui a lei fundamental do Estado.

Konrad Hesse, autor do livro “A força normativa da Constituição”, apresenta diversas críticas ao pensamento de Ferdinand Lassale. Dentre as quais, podemos citar a de que conceber a Constituição apenas como a soma dos fatores de poder, desprezando-se o aspecto jurídico da formação e construção do texto constitucional, é fechar os olhos ao fato de que também a ciência jurídica exerce influência sobre a ordem política e social. Na verdade, a ordem constituída deve significar mais do que a ordem legitimada pelos fatos, deve ir além da constitucionalização dos interesses das classes e grupos dominantes. A ordem constituída deve conter “comandos normativos com força de concretização plena em situações específicas”, pois ao se “reconhecer a vontade constitucional de uma nação, é exigível do Estado dotar a ordem jurídica de mecanismos que assegurem concreta aplicação dos preceitos constitucionais”.

Mas é válido ressaltar que, por outro lado, Hesse admite a importância da ordem social, cultural e econômica no processo de formação constitucional. Para ele, o conceito de constituição deve envolver um ponto de equilíbrio entre a realidade e as normas constitucionais, pois norma só existe em face da realidade. Com isso, o autor rejeita o estudo puramente teórico da constituição, destacando que, para que tenham força normativa, as regras constitucionais devem estar em harmonia, histórica e social, com o povo a que se destina. Hesse não é autor de uma “teoria pura” da constituição. Ao passo que afirma a relevância da Constituição jurídica, dotada de força normativa própria, capaz de influenciar a dinâmica social por meio de regras do “dever-ser”, também considera a existência de uma realidade fática, que deve estar presente na constituição, por meio de regras ligadas ao “mundo do ser”.

Muitos estudiosos do direito constitucional brasileiro, como Pedro Lenza, afirmam que nossa constituição é uma constituição de garantia e dirigente. De garantia porque promove a limitação do poder estatal com o intuito de proteger os direitos fundamentais do indivíduo. Dirigente porque, dentre suas diversas normas, há aquelas que estabelecem ou prevêem medidas a serem adotadas pelo Estado, no intuito de alcançar os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil (construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades regionais e sociais; promover o bem de todos, sem preconceito de raça, cor, sexo, origem, ou qualquer outra forma de discriminação).

Diante disso, ao articularmos os pensamentos de Hesse e Lassale, podemos dizer que a CRFB de 1988 foi (e é) condicionada pelos fatores econômicos, sociais e culturais de nossa sociedade. Além disso, também podemos afirmar que a CRFB possui força jurídico normativa própria, uma vez que, por expressar a vontade constitucional de nossa nação, e por isso tratar-se de uma constituição garantística e dirigente, voltada para o presente e para o futuro, em outros termos, ligada ao “ser” e ao “dever ser”, é dotada de mecanismos que a protegem de veleidades e contingências (cláusulas pétreas), e é permeada de normas dirigentes, que ora determinam a implementação de certa política pública, ora a criação de mecanismos legais que protejam os valores que considera essenciais (proteção à família, proibição de preconceito).

Esse condicionamento recíproco entre os fatores sociais e as normas constitucionais pode ser demonstrado por meio da interpretação constitucional, em nosso país realizada pelo Supremo Tribunal Federal – STF. Como guardião da CRFB, o STF, em suas decisões, objetiva, acima de tudo, estar em harmonia com os princípios fundamentais de nossa República (soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, pluralismo político, valores sociais do trabalho e da livre iniciativa). Com isso, tais decisões, baseadas que são nos fundamentos do texto constitucional, muitas vezes vão influenciar o próprio contexto sócio-cultural do país. Como exemplo, podemos citar o reconhecimento de união estável entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar, a permissão de pesquisas científicas em células-tronco etc.

Acima, vimos que os pensamentos de Lassale e Hesse são, na realidade, convergentes: “Não pode o texto constitucional alijar-se do mundo real, sob pena de perder sua força e de não ser obedecido”; e, de outra banda, não pode a constituição ser reduzida a mera legitimadora dos fatores reais de poder. O ponto de equilíbrio, a convergência entre aqueles autores, é a constatação de que existe sim uma ordem de poder, e que esta influencia a criação e interpretação da norma constitucional, porém essa criação e interpretação também condicionam o próprio contexto social. A influência é recíproca.

Dessa maneira, se pensarmos nos desafios para o constitucionalismo dirigente no Brasil, podemos concluir que a grande questão, o grande dilema, envolve o esclarecimento desse processo de condicionamento recíproco. Em outras palavras, o aspecto pragmático das transformações, as nuances das modificações produzidas no meio cultural, a verificação daquilo que se apresenta como anseio social, tudo isso é merecedor de estudo pormenorizado e contínuo. Nunca é demais lembrar que algumas leis são criadas, supostamente, para atender a um comando social ou econômico previsto no texto constitucional, e na prática se revelam tímidas ou ineficazes para enfrentar as questões a que se propuseram combater. Outras, de caráter eminentemente “positivo e fomentador”, também não alcançam o nível de condicionamento desejado para consecução dos seus objetivos.

O desafio maior é a criação de mecanismos adequados que possibilitem o efetivo respeito aos fundamentos de nossa Constituição e à consumação dos objetivos fundamentais de nossa República. Tais mecanismos devem estar além da pura e simples “voracidade legislativa”, caracterizada pela edição desenfreada de normas pelo legislador infraconstitucional. Na verdade, devem estar ligados ao efetivo aparelhamento da máquina estatal, com a promoção pelo Poder Público de medidas direcionadas a sociedade como um todo, a fim de promover, inclusive, a conscientização dos diversos setores, quanto aos objetivos maiores de nossa lei fundamental.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

HEART OF MINE

Essa música é uma joia rara do disco "Shot of Love", de 1981. Na realidade, o disco todo é bom. Recomendo com veemência.

Sei que o vídeo acima não é um primor de qualidade visual. Mas pela música vale a pena.

Quem quiser uma versão mais "bonitinha" da música, aconselho escutá-la na gravação da Norah Jones: http://www.youtube.com/watch?v=G_gjiSaNVl8

De todo jeito, para mim Heart of Mine é daquelas músicas capazes de mexer com a gente.

Especialmente nesse álbum sinto Dylan bem próximo de um amor mágico, sublime.

E, para finalizar, aqui em BH os dias estão cada vez mais cheios de revelações. Eu confio e acredito no caminho que estou trilhando. E mesmo nos dias frios deste lugar, tempo e espaço se tornam cada vez mais amigáveis. É impossível desprezar os sinais de que agora tenho ao meu lado a força de que tanto preciso. Adiante!

sábado, 24 de setembro de 2011

ESPÍRITO DA VERDADE

É a consumação de um novo tempo. Dúvidas são abandonadas. E na medida em que acredito e vou adiante, os lamentos perdem cada vez mais a força.

Somente pelas mãos do meu Senhor Jesus Cristo é possível um milagre como esse. Eu não poderia conseguir sozinho. E foram tantas tentativas, tanta vontade de conhecer o Espírito da Verdade... De repente, antes de dormir, leio em João 15:26: "Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim. E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio."

O que significa isso? Meu Deus: não há outra fonte de verdade que não advenha do teu Filho. Somente pelo nome de Jesus a vida eterna é possível.

E, ainda que minha pouca fé me faça tropeçar ou me deixe surdo aos ensinamentos de Cristo, a verdade é que junto às palavras de Jesus está o seu precioso sangue. O gesto de Jesus na cruz é o maior acontecimento da humanidade. É a possibilidade do perdão, do reinício e do amor.