segunda-feira, 31 de maio de 2010

REFORMULAÇÃO

O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria.

(William Blake)

O caminho da sabedoria leva ao palácio do comedimento.

(Moisés)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

DISSERTAÇÕES - TEXTO I

O bullying, forma de discriminação, às vezes violenta, praticada principalmente em escolas e sítios de relacionamentos da internet, configura-se num grave problema, diante do qual medidas devem ser adotadas. Xingamentos, atos de desprezo e agressões físicas reiteradas representam algumas das ações relacionadas ao bullying. É preciso que todos, pais, educadores, estejam conscientes dos prejuízos, decorrentes da violência física ou psicológica, provocados nas vítimas de tais atos.

A prática do bullying é antiga. Muitas pessoas, se questionadas sobre o assunto, provavelmente recordarão atos de humilhação ou discriminação que presenciaram, ou até mesmo sofreram, durante o período escolar. Jovens e adolescentes, por possuírem, por exemplo, constituição física mais frágil, tornam-se reféns de pessoas que, imbuídas de sentimentos como raiva e desprezo, os hostilizam ou machucam.

Apesar de existir há bastante tempo, a verdade é que, somente nos últimos anos, a sociedade passou a se preocupar com o problema. Essa preocupação está fortemente ligada à exposição, em blogues ou sítios de relacionamento da internet, dos traumas e prejuízos provocados pelo bullying. Ademais, com a expansão da conexão virtual, tornaram-se comuns situações em que pessoas, por não se enquadrarem em certos padrões de beleza, de comportamento, de crença, são agredidas "virtualmente" por outras que se julgam melhores ou superiores.

Para que o bullying seja coibido, é preciso que a sociedade comece a agir. Família e escola devem ensinar aos jovens e adolescentes a comprender e respeitar diferenças entre as pessoas. Aos pais, em especial, é recomendado diálogo com os filhos, a fim de orientá-los quando forem vítimas ou presenciarem ações dessa natureza. Por fim, caso o bullying implique, por exemplo, em atos de racismo ou homofobia, será preciso punir, de forma exemplar, os responsáveis.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

REGISTRO



O comedimento é a chave.
É preciso ser obstinado, jamais explosivo.
Como um ourives, uma aranha a fabricar seu fio.

domingo, 16 de maio de 2010

VAMOS?

E daqui a pouco é segunda-feira. Este domingo foi de "24h". Passei boa parte do dia em frente ao micro, assistindo a episódios da 1ª temporada. Comprei a 1ª e a 2ª.

Ah, encontrei um sujeito muito bacana. O nome dele é Mark Knopfler. É mais conhecido por seu trabalho na falecida banda Dire Straits, a qual liderou de 1978 a 1993.

Lembro dessa banda. E lembro que o som era bem agradável. Mas a verdade é que nunca prestei atenção. E nem tenho interesse de fazê-lo agora. No entanto, quanto à carreira solo do Mark Knopfler...

Prestem atenção neste som...Pra escutar no carro. Ou seria num avião?


sábado, 15 de maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O PADRE DA LUZ VERMELHA

Na última conversa com padre Nereu, Juju ficou chocada com o que ouviu. Senhora sisuda, casada, funcionária pública, síndica de condomínio, católica praticante, suas decisões tinham de passar pelo crivo da igreja. Esforçava-se por manter tudo em ordem, estivesse no trabalho ou no prédio - localizado num bairro de classe média alta, zona sul de Belo Horizonte, onde vive com o marido há mais de trinta anos.

Com a chegada de três novas moradoras, que assinaram contrato com o dono do apartamento (um senhor bastante rico e respeitado por todos no bairro), a rotina do lugar sofreu sérias alterações.

O barulho nas madrugadas aumentou. Sapatos de salto alto, com seus "toque" "toque" "toque", e ruídos que lembravam grunhidos de animais perturbavam o sono de muita gente. A filha adolescente de uma vizinha afirmou ter visto um homem pelado no quarto das moças. Sem contar que o movimento de táxis, depois das vinte três horas, aumentara bastante por ali.

Com o agravamento da situação, Juju teve de tomar providências. Resolveu dar início a uma investigação
. Foi ao apartamento das novas inquilinas. Atendida pela Renata, moça muito simpática, conversada e educada, foi convidada a entrar. Juju explicou que precisava do telefone de todos, para o caso de alguma emergência. Registou o número da menina, bem como de suas amigas, num caderno de notas. Soube que estudavam numa faculdade particular. E que eram amigas íntimas do locador.

Na casa do sogro de Juju, havia uma pilha de jornais. Para confirmar o número de Renata numa das seções do periódico, catou algumas páginas e levou-as para casa. Depois de quase uma semana de trabalho, quando o marido já reclamava da falta de assistência, Juju vibrou excitada ao reconhecer o número que anotara no caderno: Para você que não abre mão de uma acompanhante discreta, bonita e charmosa, estudante universitária, disposta a realizar seus desejos mais secretos, ligue para mim. Sigilo absoluto em local próprio, num dos bairros mais nobres da cidade.

A missão estava cumprida. Juju agora tinha elementos para agir. Antes, porém, seria preciso ir ao Padre Nereu. Há vinte anos que o conhecia, confiava em seus conselhos, apesar de achá-los às vezes incomuns. Mas sempre que os seguia, o resultado era ótimo. E por que haveria de ser diferente agora?

Revoltada com o que ouviu do padre, Juju decidiu agir por conta própria. Procurou o locador das meninas. Contou tudo que descobrira e afirmou, fundamentada no Estatuto do Condomínio, que tais posturas são proibidas. O homem bem que tentou defender as moças, contudo ao ser desafiado a ligar para uma delas, e depois de pensar nos riscos de ser descoberto, cedeu aos argumentos de Juju. Pediu apenas que aguardasse quinze dias para que o imóvel fosse desocupado.

Passados nove meses, no batizado da filha de uma vizinha, cujo pai era desconhecido, Juju se surpreendeu ao perceber o padre Nereu na cerimônia. Foi inevitável lembrar: é, minha filha, o jeito é pedir pras meninas, pelo menos, colocarem uma luz vermelha na porta.

terça-feira, 11 de maio de 2010

VIDA NA CAPITAL

Belo Horizonte é enorme. Trânsito tumultuado, engarrafamentos, buzinas, protesto de grevistas. Notícias de estupro e prováveis enchentes no período chuvoso. Traficantes anunciam toque de recolher em alguns bairros. Pastor ensandecido faz pregações no centro da cidade. Pessoas caminham com pressa, são quase todas desconhecidas. Sirenes, apitos, gritos, muita gente!

E a verdade é que me sinto confortável aqui. Tudo que mencionei acima compõe um quadro que me revela, traz à luz sentimentos novos, como no início de uma vida.

Quase em silêncio, faço meus projetos. Tenho a convicção de que posso conseguir tudo que desejo. E o que desejo toma forma na medida em que me afasto dos sonhos vazios. Lembro-me de quando quis a fama, a arma de fogo na cintura, os óculos ray ban na madrugada... Hoje meu plano é bem singelo: viver de forma honesta. Este meu maior objetivo.

E Belo Horizonte, com essa multidão, com esse barulho, com essa coisa louca de metrópole é minha aliada. Com humildade, observo e aprendo com o que vejo, envolvo-me, torno-me parte viva deste lugar.

sábado, 8 de maio de 2010

RESPONSABILIDADE

O homem, por decidir o que faz, é responsável, diante de si e dos outros, por suas escolhas. Frente ao mundo que o envolve, sua responsabilidade é evidente. Consciente ou não desse fato, o homem sempre responde por suas ações. Já perante o próprio ser, tal compromisso é difícil de enxergar. Para tomar a vida nas mãos, é necessário muito esforço, é preciso vencer a vontade de fuga que lhe ocorre. Assumir essa batalha é decidir pelo risco de se revelar, de se abrir ao coração.

Decisões sábias aquietam o espírito. E é sábio ousar em vez de se esconder. É sábio reconhecer no lugar de negar. O coração fornece sinais, diz como se deve agir. Porque ele quer vida, jamais morte! É como se houvesse um medidor de verdades dentro do peito. E é preciso escutá-lo com atenção. Quando estiver em paz, é porque existe luta. Quando estiver angustiado, é porque se iniciou a fuga. E a partir disso surge o impasse: persistir ou entregar-se?

É nessa hora que muitas vezes o corpo vacila. Utilizando-se dos mais diversos argumentos para anestesiar sua angústia (cansaço - e é preciso dormir horas e mais horas; excitação - e é preciso se satisfazer de qualquer forma; dúvida - e é preciso desconfiar de tudo e de todos; medo - e é preciso se proteger até mesmo de uma criança), o corpo tende a frear qualquer esforço. A impressão é de que o autoreconhecimento provoca pane nos sentidos. Mas é preciso vencer essa tendência. É preciso conquistar a vontade.

A cada vitória, fortalecimento. Os passos tornam-se firmes. A visão, mais apurada. O coração se aquieta... Saber é responder por si mesmo. Responder por si mesmo é cuidar da própria vida.