sábado, 31 de julho de 2010

EXPLOSÕES E PAISAGENS

Dia desses à noite vi João Cabral de Melo Neto na TV. Estava aqui com o Menphis quando começou um documentário sobre o poeta. Resolvi assistir.

Meu contato com João Cabral é quase nenhum. Uma ou outra poesia nos livros de literatura do segundo grau. Morte e Vida Severina para o vestibular. Funeral de um Lavrador com Chico Buarque...

Mas sempre ouvi falar de sua qualidade, de sua precisão poética. Há quem diga tratar-se do maior bardo brasileiro.

Sei que o tempo do estado poético se aproxima. E nele irei travar conhecimento com muitos poetas, dentre eles o João Cabral, sem dúvida.

Os sinais desse tempo são tão claros quanto uma explosão de estrelas. E justamente este termo, explosão, foi o que me chamou atenção no documentário.

João Cabral concebe a poesia como um trabalho muito sério, um esforço para domar as explosões de sentimento que acometem o ser humano.

Compreendi na hora o que ele dizia. Domar explosões... O mundo se mostra bruto, sensações selvagens podem nos liquidar. É assim na poesia, é assim na vida. O trabalho, seja ele qual for, se realizado com sinceridade, esforço e comedimento, faz do homem um vencedor, um ser que pode "ousar ser", transformar-se e criar sua própria história, sua própria arte.

Não assisti a todo o documentário. Parei e retornei aos estudos depois que João Cabral de Melo Neto, perguntado sobre suas viagens de diplomata, respondeu: eu não estava interessado em paisagens, mas sim em concluir minha obra.

FAMÍLIA QUE SE FORMA

A felicidade passa por aqui...