sábado, 7 de fevereiro de 2015

O milagre da vida


Quando ouvi sobre a graça de Deus pela primeira vez, não entendi muito bem do que se tratava. Senti que havia algo de bom, que me trazia uma espécie de paz. Mas não percebi o real significado desse milagre.

Essa paz que surgiu no início me lembra o dia em que fiquei observando minha cachorrinha em Montes Claros parada junto ao portão da casa, olhando por baixo dele e desejando muito correr pra rua. Lembro-me do quanto ela ficava eufórica, especialmente quando os outros bichos passavam por lá e davam uma boa fungada ou latida perto da porta.

Anos depois num culto da Lagoinha, ouvi o pastor definir a graça como tudo aquilo que recebemos mas que não merecemos. Ao lado disso, após asssistir a alguns vídeos do Caio na internet, essa palavra passou a fazer parte de minhas conversas com amigos, esposa, filha...Contudo, de algum modo estranho, dentro do coração, sentia que a porta da rua ainda estava fechada, apesar de minha boca  não parar de falar dos benefícios que a graça divina nos proporciona.

Em 2013, num domingo cinzento de Brasília, sozinho, fui a uma reunião do Caio e quando ele perguntou se alguém ali gostaria de ser batizado, eu fui até ele e oramos para que Deus me fizesse entender o evangelho com o coração e não apenas com a mente. Emocionei - me bastante naquele dia. Repeti comigo diversas vezes o significado da graça, falei com os meus amigos, pressenti a paz. Porém, a pequena porção de luz pela fresta da porta não iluminava o interior da casa.

Há coisas que o intelecto,  por mais que se esforce em raciocínio e repetições, jamais vai compreender.

Lá em Candiba, em janeiro deste ano, quando orei junto com o meu pai, como temos feito de manhã sempre que vou visitá-lo, quando ouvi ele dizer, do jeito dele, com a simplicidade dele, que fé é a certeza das coisas que se esperam mas que não se veem, "alguém mexeu na maçaneta do portão". Mas não houve euforia. Apenas algo foi rompido dentro de mim. Não sei dizer o quê exatamente.

Nesses últimos dias em Belo Horizonte, tenho revivido muitos sentimentos que julguei superados. Percebo que a transformação efetiva de nossas vidas depende da confiança, da certeza daquilo que não se vê, mas que se espera.

Muito mais do que gravar a informação, é preciso sentir que a graça envolve coragem, sendo a própria essência do tornar-se aquilo que se é. Significa voo, chão, trabalho, abraço, esperança, compreensão, perdão, exuberância, beijo e, sobretudo, amor.

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